25 de março de 2026- A XIII Conferência Ibero-americana de Ministros e Ministras do Ambiente e do Clima concluiu com um consenso entre os 22 países para aprovar a Agenda Ambiental Ibero-Americana (AMI), documento que definirá o roteiro em matéria de sustentabilidade na Ibero-América até 2030 e que será apresentado na próxima Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, em Madrid. O encontro, que reforça o compromisso político da região face à crise climática, à perda de biodiversidade e à poluição, foi organizado pelo Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, juntamente com a Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB). A Espanha preside à Secretaria Pro Tempore da XXX Cimeira de Chefes de Estado, que se realizará em Madrid no próximo mês de novembro.
Na reunião ministerial em Málaga foi adotada uma declaração, aprovada por todos os países, que reafirma o compromisso da Ibero-América com o multilateralismo e as agendas ambientais globais.
A vice-presidente do Governo de Espanha e ministra da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, Sara Aagesen, anfitriã do encontro, indicou que: “A Ibero-América é uma das regiões mais expostas e vulneráveis, sim, mas é, acima de tudo, um imenso pulmão verde e azul do planeta. Por isso reforçamos a vontade de cooperação para transformar a emergência climática numa agenda de oportunidades e de modernização das nossas sociedades”.
“A Reunião Ministerial do Ambiente marca um passo decisivo para a Ibero-América, com a adoção de uma Agenda Ambiental comum que reflete a capacidade da região para construir consensos, projetar uma voz própria na agenda global e traduzir compromissos em ação coletiva face a uma crise ambiental que não conhece fronteiras”, afirmou Andrés Allamand, ecretário-geral ibero-americano.
A nova Agenda Ambiental Ibero-americana estabelece um quadro de cooperação estruturado em torno dos quatro eixos da Carta Ambiental Ibero-americana, aprovada na Cimeira de Santo Domingo, em 2023. Os objetivos focados em: acelerar a ação climática, proteger a biodiversidade, gerir de forma sustentável os recursos naturais e combater a poluição.
Durante a reunião, os países reiteraram o seu compromisso com o Acordo de Paris, sublinhando a urgência de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C e de aumentar o financiamento climático, especialmente para os países em desenvolvimento. Paralelamente, apoiaram a implementação efetiva do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal.
Além disso, destacaram a necessidade de respostas coletivas e integradas face ao agravamento dos fenómenos extremos, à degradação dos ecossistemas e à crescente pressão sobre os recursos hídricos. A declaração aprovada coloca também o foco na proteção e restauração da biodiversidade, na promoção da economia circular e na gestão sustentável dos oceanos, bem como na mobilização de recursos financeiros e tecnológicos para enfrentar os desafios ambientais da região. Na XIII Conferência, reconheceu-se o papel-chave das redes ibero-americanas como espaços de cooperação técnica e política, bem como a contribuição da SEGIB para a articulação de uma resposta regional coordenada.
Agenda regional
Na declaração demonstra-se o compromisso da Ibero-América através das seguintes ações:
- A eleição do chileno Julio Cordano, como presidente do Comité Intergovernamental de Negociação para a elaboração de um Instrumento Internacional Jurídico Vinculante sobre a Poluição por Plásticos, incluindo no Meio Marinho.
- A calendarização da Primeira Conferência Internacional sobre a Transição Além dos Combustíveis Fósseis, a realizar-se em Santa Marta, Colômbia, de 24 a 29 de abril de 2026.