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A Ibero-América reconhece a migração segura, ordenada e regular como uma alavanca para o desenvolvimento sustentável

O V Fórum acorda na elaboração de um documento comum de boas práticas em matéria de mobilidade laboral para reforçar os mecanismos existentes entre os países ibero-americanos. As delegações reuniram-se na quinta e sexta-feira em Huelva para reforçar o papel das políticas de mobilidade humana na governação regional. Foi realçado o papel das diásporas ibero-americanas no estrangeiro, reconhecendo o seu valor na construção das sociedades de acolhimento. No vigésimo aniversário do Compromisso de Montevideu sobre Migrações e Desenvolvimento, foi reconhecido o enriquecimento cultural, académico, económico, político e social que as migrações trazem à Ibero-América

Migración

Huelva, 5 de junho de 2026.– Os representantes dos países ibero-americanos que participam no V Fórum Ibero-Americano sobre Migração e Desenvolvimento reconheceram o papel da migração segura, ordenada e regular como alavanca de desenvolvimento sustentável para a região. Para o efeito, reafirmaram os canais regulares de migração, que "contribuem para reduzir a irregularidade, responder aos desafios demográficos da região e satisfazer as necessidades dos mercados de trabalho", reconhecendo a geração de benefícios mútuos para os países de origem, de trânsito e de destino.

As delegações comprometem-se, com o apoio da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), a trabalhar num Relatório de Boas Práticas em matéria de mobilidade laboral que permita sistematizar as experiências da região e explorar ou reforçar os mecanismos de mobilidade entre os países ibero-americanos, de forma voluntária e respeitando as competências nacionais de cada Estado.

De igual modo, foi acordado incorporar o papel das diásporas ibero-americanas no estrangeiro como pontes económicas, culturais e sociais entre as nossas sociedades e servir de base a políticas que potenciem a sua contribuição para o desenvolvimento local e regional.

A Ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, destacou o facto de a "experiência partilhada nos oferecer uma posição privilegiada para promover um modelo de migração e integração baseado na cooperação, na igualdade de direitos e no reconhecimento da diversidade como uma mais-valia para o desenvolvimento humano, económico e cultural dos países ibero-americanos".

"Temos de responder aos atuais desafios demográficos de forma responsável, porque uma migração bem gerida cria benefícios mútuos para os países de origem, de trânsito e de destino. Por esta razão, a realidade está a pressionar-nos para abordarmos esta questão de uma forma cooperativa", afirmou.

Por seu lado, o Secretário-Adjunto Ibero-Americano, Frederico Ludovice, sublinhou que "a história da Ibero-América está profundamente ligada a estas múltiplas vagas de migração, tanto internas como externas, que, longe de nos fragmentarem, contribuíram para a construção de uma identidade regional rica e plural", caraterística da Comunidade Ibero-Americana.

Proteção contra a desinformação

Um dos temas centrais do Fórum foi a análise das atuais narrativas sobre migração, com especial destaque para a criação de quadros positivos para combater a desinformação. O Conselho recordou a necessidade de proteger os migrantes contra essa desinformação e discriminação e de promover narrativas justas e baseadas em factos sobre o contributo da migração para o desenvolvimento sustentável das nossas sociedades.

Para o efeito, as delegações consideram fundamental reforçar o intercâmbio de experiências e boas práticas em matéria de políticas de migração, integração socioeconómica e proteção dos direitos, contribuindo para a construção de uma governação regional das migrações mais eficaz, transparente e inclusiva.

O vigésimo aniversário do Compromisso de Montevideu sobre Migrações e Desenvolvimento (2006) reconheceu o enriquecimento cultural, académico, económico, político e social que as migrações trazem à Ibero-América, reconhecendo Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular e o Pacto Mundial sobre os Refugiados, como quadros de referência fundamentais para a ação colectiva dos países da região em matéria de mobilidade humana.